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Desvendando o rótulo - Desodorante antitranspirante vegano

Desvendando o rótulo – Desodorante antitranspirante

A procura por produtos naturais e ecologicamente corretos tem crescido cada vez mais no mercado, o que nos deixa muito felizes, pois isso indica que o consumidor está cada vez mais consciente. Mas junto com o crescimento dessa fatia de mercado, cresce também o número de empresas que querem atingir esse novo público. Com isso, o chamado grenwashing tem sido uma prática cada vez mais comum pelas empresas.

Para quem não conhece o termo, greenwashing é como uma propaganda enganosa no tema “ecologicamente correto”. Então a empresa vende seu produto como natural, ou associa algum atributo seu como algo que beneficie o meio ambiente, sendo que isso não é realmente verdade, podendo ser, inclusive, prejudicial à natureza.

Um dos termos mais usados no greenwashing é o Vegan/Vegano. Muitas empresas vendem seus produtos como naturais ou como bons para a saúde ou para o planeta, apenas por serem veganos. É muito bom que a quantidade de produtos veganos esteja crescendo no mercado e que cada vez menos animais tenham que sofrer para conseguirmos viver de forma confortável e prazerosa. Mas o fato de ele não ser testado em animais ou não conter produtos de origem animal não faz dele necessariamente um produto bom para a saúde. Há muitos ingredientes que são veganos, mas que ainda assim fazem mal à saúde. Como um exemplo disso, vamos desvendar o rótulo de um desodorante vegano e verificar o que estamos passando em nosso corpo e descartando em nosso planeta todos os dias. Abaixo, listamos os ingredientes presentes neste desodorante e mais detalhes sobre sua função e propriedades.

Aqua (Water): Água! A água é um componente natural (sim, sim, Capitão Óbvio ataca!) e é utilizada para diluir os compostos e auxiliar na hidratação da pele.

Aluminum Chlorohydrate: Sal inorgânico complexo altamente higroscópico, ou seja, tem alta capacidade de absorver a água. Suas moléculas são muito pequenas e por isso conseguem se abrigar nos canais onde saem o suor. Assim, antes mesmo do suor entram em contato com a pele, esse sal o absorve, funcionando como um tampão e impedindo o contato do líquido com as bactérias causadoras do mau odor. Alguns estudos demonstraram a absorção do alumínio em aplicação tópica através dos sais de alumínio (cloridrato de alumínio, cloreto de alumínio ou complexos de alumínio-zircônio) contido nos antitranspirantes, os quais, comprovadamente, apresentam efeitos tóxicos ao organismo humano em determinadas quantidades e cumulativamente.

Três principais problemas são apontados em estudos para o uso de antitranspirantes com cloridrato de alumínio: bloqueio da liberação de toxinas através do suor, possível associação do alumínio com câncer de mama e com a doença de Alzheimer. Compostos de alumínio fecham temporariamente o duto por onde o suor é liberado e isso interrompe o fluxo de suor para a superfície da pele, prejudicando o processo de eliminação natural das toxinas e a regulação términca do nosso organismo, como explicado em nosso texto anterior (aqui).

Além disso, alguns estudos sugerem que os compostos à base de alumínio, que são frequentemente aplicados e deixados sobre a pele perto da mama, podem ser absorvidos e causar efeitos semelhantes ao estrogênio. Como o estrogênio tem a capacidade de promover o crescimento de células de câncer de mama, alguns cientistas têm sugerido que os compostos à base de alumínio em antitranspirantes podem contribuir para o desenvolvimento deste tipo câncerEm relação à doença de Alzheimer, desde 1911, evidências experimentais têm demonstrado que a intoxicação crônica por alumínio reproduz características neuropatológicas da doença de Alzheimer. .

Steareth-2: O Steareth-2  é um emulsionante composto por Álcool Estearílico Etoxilado. Causa irritação se em contato com a pele e olhos (toxicidade aguda). Pode estar contaminado com Ethylene Oxide e 1,4-Dioxane, que são compostos altamente tóxicos a saúde humana.

Dicaprylyl Ether: É utilizado em fórmulas cosméticas como emoliente, dando um toque sedoso e macio a pele. Ingrediente de baixa toxicidade, podendo ser utilizadas em fórmulas orgânicas certificadas.

Ceteareth-20: Utilizado em formulas cosméticas como surfactantes, logo, diminuem a tensão superficial entre dois líquidos. São muito usados em produtos limpantes. É uma substância muito tóxica para a vida aquática e também se ingerida. Em contato com a pele, pode causar irritação.

Cyclomethicone: É um tipo de silicone, muito usado em produtos de uso pessoal. Os silicones cíclicos são utilizados como solventes para a fragrância e óleos essenciais, e são vastamente utilizados por conta de sua fácil espalhabilidade e por não fornecerem lubrificação gordurosa. Como os derivados do petróleo, os silicones podem piorar a condição da pele seca ao longo do tempo, pois em vez de ser absorvido pela pele e alimenta-la de dentro para fora, como os ingredientes naturais ​​fazem, ele forma uma espécie de barreira na parte externa da pele, a impedindo de respirar. Eles também podem prejudicar a transpiração e assim a regulação de temperatura do corpo.

Dimethicone: Assim como o cyclomethicone, é um silicone, apresentando os mesmos problemas que ele. É utilizado como condicionante, protetor da pele e como antiespumante. É um produto de origem sintética (vem do petróleo) e há estudos que indicam potencial toxicidade tanto para organismos como para o ambiente, sendo também biocumulativo.

Urea: A uréia é um desnaturalizante protéico que provoca a hidratação da queratina e uma leve queratólise na pele seca e hiperqueratósica. Ela é amplamente usada para o tratamento de peles secas, mas também tem propriedades antimicrobianas e anti-inflamatória. As substâncias antiperspirantes, como o cloridrato de alumínio, agem em pH bem baixo, de 1,5 a 5, e assim podem causar deterioração de tecidos e roupas. A ureia é utilizada então na formulação de desodorantes como um tampão, neutralizando a solução e impedindo a danificação de roupas. Na pele, o contato constante pode causar irritação suave.

Disodium EDTA: É um quelante, ou seja, atua no produto como um estabilizante, mantendo suas características físicas. Ele atua complexando e inativando íon metálicos, que interagem com os ingredientes e podem trazer riscos a saúde. Estudos apontam que ele pode atuar como um agente que aumenta a penetração de outros ingredientes (que estejam presentes na fórmula do produto) na pele, além de ser levemente mutagênico.

Allantoin: É um produto que devemos sempre estar atentos quanto a sua origem, pois normalmente é de origem animal, mas também ode ter origem vegetal. Tem baixa toxicidade e é utilizado graças a suas características cicatrizantes, calmantes e anti-inflamatórias. Auxilia na hidratação da pele, eliminando o efeito de ressecamento.

Triclosan: O triclosan é um ingrediente bactericida, amplamente usado pela indústria farmacêutica, em sabonetes líquidos, íntimos e até na pasta de dente. Os seus efeitos colaterais já estão sendo estudados há muito tempo e em 2014, foi liberado um relatório da Universidade da Califórnia com a comprovação científica de que o Triclosan oferece risco de toxicidade hepática para o ser humano. Ele interfere no desenvolvimento do receptor androstano, responsável pela metabolização de produtos químicos estranhos ao corpo. Ao ser danificado, há a proliferação de células hepáticas que pode levar a fibrose hepática. Estudos em laboratório mostraram também uma redução na capacidade muscular, inclusive do coração. O triclosan pode ser passado pelo leite materno, e por isso é bom evitar sua ingestão, principalmente se você está amamentando. Além disso, ele pode causar a resistência de bactérias, por conta de seu uso sem medida.

Methylparaben e Propylparaben: Sua função é conservar o produto. Os parabenos são compostos baratos de serem sintetizados e por isso possuem larga utilização na indústria cosmética. O problema dessa classe de substâncias é que eles são causadores de alergias cutâneas, envelhecimento precoce da pele e cânceres. Falamos um pouco dele aqui, no post dos desodorantes. Um de seus maiores problemas é que ele é um disruptor hormonal. Eles se ligam aos receptores de estrogênio (hormônio feminino), e induzem as células a agirem como se houvesse estrogênio natural. Em inúmeras análises de tumores mamários, foram encontradas concentrações altíssimas de parabenos.

BHT: O BHT é um composto orgânico lipossolúvel, vendido na forma de cristais brancos. É largamente utilizado na indústria cosmética e alimentícia, servindo como antioxidantes, além de conservantes. É listado como disruptor hormonal e possível causador de câncer. Para quem não sabe, disruptores hormonais são aqueles compostos que imitam a ação de hormônios no nosso corpo, principalmente o estrogênio, sendo assim mais prejudicial para as mulheres. E apesar de serem utilizados em alimentos e produtos de cuidado corporal, em suas fichas técnicas é possível verificar que eles são perigosos se ingeridos e causam irritação cutânea.

Concluindo, os desodorantes convencionais, mesmo sendo veganos, ainda bloqueiam a nossa transpiração e podem trazer inúmeros problemas, como irritações na pele, problemas no fígado, problemas hormonais, e muitos outros. Por isso, é preciso ter muito cuidado para não confundir vegano com natural, e não chegar à conclusão errônea de que tudo o que é vegano é bom para a saúde também.

Espero que tenham gostado, e até a próxima.

 

Fonte:

https://www.ecycle.com.br/component/content/article/35-atitude/2094-definicao-o-que-como-traducao-greenwashing-estrategias-marketing-propaganda-consumo-produtos-servicos-atitude-apelo-ambiental-enganosa-empresas-consciencia-ambiental-casos-exemplos-cuidados.html

http://www.sciencelab.com/msds.php?msdsId=9925582

https://www.ewg.org/skindeep/ingredient/724156/STEARETH-2/#.WfM_omhSyUk

http://gardenquimica.com.br/fispq/alcool-estea.pdf

http://msds.orica.com/pdf/shess-en-cds-010-000000035853.pdf

http://www.usiquimica.com.br/adm_img/fispq-24.pdf

http://siaibib01.univali.br/pdf/Camila{d472cbc9b4e5b7840d5104aea9a3b0a6f44f9dfecef370459faa46ba60659749}20Peres{d472cbc9b4e5b7840d5104aea9a3b0a6f44f9dfecef370459faa46ba60659749}20Vilacian,{d472cbc9b4e5b7840d5104aea9a3b0a6f44f9dfecef370459faa46ba60659749}20Luciana{d472cbc9b4e5b7840d5104aea9a3b0a6f44f9dfecef370459faa46ba60659749}20Camargo.pdf

http://www.pnas.org/content/111/48/17200.abstract

http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=triclosan

https://www.greenme.com.br/consumir/detergentes/1094-triclosan-pode-causar-danos-graves-ao-figado-inclusive-tumor

Alumínio: de câncer de mama à doença de Alzheimer

Engenheira Química pela UFSCar. Trabalhou na área de logística na Ambev, qualidade da Casale Equipamentos e atua hoje como consultora da EY. Iniciou estudos de Cosmetologia e Fitoterapia no Instituto Holistico Maya, em Playa del Carmen e atualmente cursa Fitoterapia na Humaniversidade.

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